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Israel reconhece cripto-judeus portugueses

Grão-rabino sefardita de Israel integra «marranos»
 
Notícia -  O grão-rabino sefardita de Israel, Shelomó Amar, autorizou a Comunidade Israelita de Lisboa a reconhecer os cripto-judeus portugueses, conhecidos por "marranos", cujos antepassados foram forçados a converter-se ao cristianismo há 500 anos.

Em declarações à Agência Lusa, o rabino da sinagoga de Lisboa, Boaz Pash, revelou que estes portugueses descendentes de judeus "têm agora a possibilidade de regressar às suas origens religiosas", depois de mais de cinco séculos obrigados a escondê-las.

Em 1497, os judeus que viviam em Portugal foram forçados pelo rei D. Manuel I a converter-se ao catolicismo para evitar a consumação do decreto de expulsão a que se havia comprometido, como condição para o casamento com a filha dos Reis Católicos de Espanha.
Os judeus israelitas chamam-lhes "Bnei Anussim", que significa, na língua hebraica, "filhos - ou descendentes - dos forçados". Em Portugal são popularmente conhecidos como "marranos", expressão pejorativa e injuriosa que significa porco e excomungado. Os historiadores designam-nos por cristãos novos ou "cripto- judeus" porque conservaram sempre a religião judaica em segredo. "Estas pessoas esconderam as suas crenças religiosas durante muito tempo. Tiveram muitas vezes comportamentos e tradições cristãs, mas o seu sentimento era o de um judeu", sublinhou o rabino Boaz Pash, acrescentando que a partir de agora "só precisam do modo e espaço para o mostrar". Salientou ainda que a aceitação dos "Bnei Anussim" por Israel "é um grande passo" para a sua aproximação à comunidade judaica, para a "definição de uma identidade religiosa, e o reconhecimento dos próprios antepassados". Por outro lado, considerou de grande importância que Portugal finalmente também reconheça a sua existência e a sua identidade religiosa como judeus. O líder judaico apontou que ainda hoje há pessoas que têm "vergonha e medo" de dizer que são judeus ou tiveram antepassados que professavam esta fé, apesar da Inquisição já ter desaparecido há muito. "A nossa intenção não é levar mais pessoas para o judaísmo. Acontece que eles já eram judeus no seu coração. Essa luz no seu íntimo nunca se apagou", sublinhou, acrescentando que se desconhece exactamente quantos serão os "Bnei Anussim" em Portugal. No ano passado, quando das celebrações do centenário da sinagoga de Lisboa, nas quais o grão-rabino sefardita de Israel esteve presente, foi procurado por vários "cripto-judeus" portugueses de Lisboa e do Porto que lhe pediram ajuda para regressar ao judaísmo.
fonte: www.kaminhos.com
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